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Artigo discute o Paradoxo da Carne: Proteger e Consumir Animais

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13 de outubro de 2025
4 min de leitura

Por Alexandre Morais da Rosa. Em, 13/10/2025

O artigo "Meating of the Minds: Quem nega a mente animal em resposta ao paradoxo da carne?", publicado na revista online Phair, por Nicholas P. Tan, Brock B. Bastian e Lucas D. Smillie, investiga um fenômeno psicológico contemporâneo: a negação da capacidade mental dos animais como um mecanismo para mitigar o conflito cognitivo. Oconflito surge da tensão entre a aversão à crueldade animal e o hábito de consumir carne. A pesquisa explora como traços de personalidade, atitudes e crenças individuais podem prever a intensidade com que as pessoas negam a mente animal, especialmente quando confrontadas com a ligação entre o consumo de carne e o sofrimento animal.

A pesquisa compreendeu dois estudos pré-registrados, envolvendo um total de 606 participantes [E1: N = 355, E2: N = 251]. Os resultados indicam que indivíduos com menor abertura para novas ideias ou intelecto, com menor capacidade de regulação emocional, ou aqueles mais comprometidos com o consumo de carne, tendem a negar a mente animal com maior intensidade. A negação se acentua significativamente quando são confrontados com a conexão direta entre o consumo de carne e o sofrimento animal.

Os autores interpretam essas descobertas sob a ótica da dissonância cognitiva. A negação da mente animal é apresentada como uma estratégia psicológica para reduzir o desconforto inerente à incoerência entre crenças [como empatia por animais] e comportamentos [consumo de carne]. A compreensão destes mecanismos psicológicos é pertinente para discussões em âmbitos como bem-estar animal e ética alimentar, pois fornece insights valiosos sobre as barreiras psicológicas que podem moldar a percepção e o comportamento humano em relação aos animais.

Em síntese, o "paradoxo da carne" descreve uma contradição comum: a maioria das pessoas diz abominar a crueldade contra animais, mas ainda assim opta por comer carne. A incoerência entre o que se acredita [não querer causar sofrimento] e o que se faz [consumir produtos de origem animal que podem ter envolvido sofrimento] gera um conflito psicológico. Para resolver esse desconforto, conhecido como dissonância cognitiva, algumas pessoas tendem a negar ou minimizar a capacidade dos animais de pensar e sentir. Em síntese, é uma forma de justificar o consumo de carne ao reduzir a percepção da inteligência e sensibilidade dos animais, aliviando assim a culpa associada à prática.

Referência

Tan, N. P.; Bastian, B. B.; Smillie, L. D. Meating of the Minds: Quem nega a mente animal em resposta ao paradoxo da carne?. Philosophy, Activism, Inquiry, v. 3, 25 set. 2024. Disponível em: https://doi.org/10.5964/phair.13335. Acesso em: 09 out. 2025.


Confira: https://phair.psychopen.eu/index.php/phair/article/view/13335

Glossário de Termos

  • Abertura/Intelecto: Refere-se a um traço de personalidade associado à curiosidade intelectual e receptividade a novas experiências. Indivíduos com menor abertura/intelecto podem demonstrar maior propensão a negar a mente animal. O construto psicológico abrange a imaginação, a percepção estética, os sentimentos, a ação, as ideias e os valores.
  • Dissonância Cognitiva: Um estado psicológico de desconforto que surge quando uma pessoa mantém crenças contraditórias ou quando suas ações entram em conflito com seus valores. No contexto do paradoxo da carne, a negação da mente animal é vista como uma estratégia para reduzir essa dissonância entre a aversão à crueldade animal e o consumo de carne.
  • Negação da Mente Animal: O ato de minimizar ou negar a capacidade dos animais de pensar e sentir. O fenômeno é observado como um mecanismo para mitigar o conflito cognitivo decorrente do "paradoxo da carne", onde se abomina a crueldade animal, mas se consome carne. A intensidade dessa negação pode variar, sendo mais forte em indivíduos com menor abertura/intelecto, menor regulação emocional, ou maior comprometimento com o consumo de carne, especialmente ao serem confrontados com o sofrimento animal.
  • Paradoxo da Carne: Refere-se à aparente contradição entre a maioria das pessoas que expressam repulsa pela crueldade animal e, simultaneamente, optam por consumir carne. Representa um conflito cognitivo gerado pela tensão entre valores humanitários/empáticos e hábitos alimentares.
  • Regulação Emocional: A capacidade de um indivíduo gerenciar e responder a suas experiências emocionais. Uma menor capacidade de regulação emocional está associada a uma negação mais intensa da mente animal, como um mecanismo de enfrentamento. Envolve a monitorização, avaliação e modificação de respostas emocionais para atingir os próprios objetivos.
  • Traços de Personalidade: Características psicológicas individuais e relativamente estáveis que influenciam o comportamento. Os traços, como abertura/intelecto e regulação emocional, podem predizer a intensidade com que uma pessoa nega a mente animal em resposta ao paradoxo da carne.

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Escrito por

Prof. AMR

Advogado e Professor de Direito